Federação Portuguesa de Golfe

NELSON RIBEIRO TREINADOR NACIONAL

Nelson Ribeiro e a Federação Portuguesa de Golfe (FPG) finalizaram hoje o acordo que atribui ao técnico de quase 33 anos as funções de Treinador Nacional de 2017 a 2020, passando a ter a seu cargo a gestão de todas as seleções nacionais, indo também desempenhar um papel fulcral no programa de desenvolvimento da modalidade.

«Quero dar continuidade aos processos que tinham sido iniciados pelo anterior Treinador Nacional, Nuno Campino, procurando tentar retirar o máximo de rendimento do potencial dos jogadores das seleções nacionais. Mas para além desses processos em curso, irei também encetar percursos com os mais novos», referiu Nelson Ribeiro que, como jogador, passou por todas as fases evolutivas, de amador a profissional, antes de iniciar muito cedo uma carreira de treinador.

«Tomei muito cedo a decisão de ser treinador, com apenas 18 anos apareceu-me um convite e aceitei-o logo», recorda.

A partir desse momento, embrenhou-se no conhecimento que considerou fundamental: «Percebi imediatamente que para desempenhar essa tarefa da melhor forma teria de compreender as mais variadas áreas. Fui estudante da Faculdade de Ciências do Desporto da Universidade do Porto (é finalista), e pretendo ainda concluir os estudos em Psicologia que iniciei em 2007. Fiz igualmente o curso de treinadores da FPG/PGA de Portugal até ao nível 3».

A sua insaciável sede de conhecimento fez com que tivesse como principal objetivo de carreira «o estudo do treino, do rendimento, da investigação. Tenho a ambição de trabalhar a uma escala internacional mas, sinceramente, nem nunca tive a ambição nem nunca me vi como selecionador nacional. Claro que é um orgulho, mas encaro este posto como uma forma de ajudar os atletas a atingirem o potencial máximo de cada um. Essa será a minha maior preocupação».

Depois de 14 anos como jogador ao serviço do Oporto Golf Club, em Espinho, está há 14 anos como treinador do Club de Golf de Miramar, em Vila Nova de Gaia, onde já liderava há alguns anos as equipas de competição de todas as categorias e escalões etários. Sob a sua batuta, 21 jogadores sagraram-se campeões ou vice-campeões nacionais nos mais diversos setores.

Nos últimos dois anos integrava também, em tempo parcial, a equipa técnica liderada pelo anterior Treinador Nacional, Nuno Campino, e julga que essa experiência poderá ser-lhe agora útil: «Tenho conhecimento das dificuldades com que o Nuno se deparava muitas vezes enquanto selecionador. Tenho (ainda) a mais-valia de estar no mesmo clube há 14 anos. Tendo estado no clube e tendo trabalhado com o Nuno nas seleções, vivi os dois ambientes. Sei como se encaram os assuntos num clube e na FPG. Isso poderá permitir-me tomadas de decisão mais próximas do correto».

Para Miguel Franco de Sousa, que só no final do ano passado assumiu o seu primeiro mandato de presidente da FPG, a escolha poderá ter levado algum tempo, mas valeu a pena. «Foi um processo idêntico ao que passámos em 2003. Lembro-me de quando entrei para os quadros da FPG em fevereiro de 2003 tivemos perto de dois meses sem treinador nacional. Quando ele começou foi com um número muito limitado de dias e só depois foi evoluindo.

«Nestas coisas, a pressa nunca foi boa conselheira. Quisemos selecionar um treinador que reunisse as condições e não quisemos deixar completamente descalço um clube que tem feito um trabalho magnífico no âmbito da alta competição. O Nelson manterá algum vínculo ao Club de Golf de Miramar, nomeadamente aos atletas integrados nas seleções nacionais, o que não vai é treinar as equipas do clube, nem vai representar o clube em competições nacionais, mas vai continuar ao longo de 2017 com um vínculo ao Club de Golf de Miramar.

«Esse era um objetivo da FPG e não teria sido um bom sinal dizermos que queremos dar apoio aos clubes para depois desfalcá-los. Chegámos a um entendimento, foi um processo mais demorado porque exigiu reuniões, conversações, cedências de parte a parte e estamos muitíssimos satisfeitos com o entendimento entre as três partes. Agora temos de olhar já para o trabalho que é preciso fazer em 2017.

«Acreditamos que o Nelson Ribeiro tem uma vasta experiência no desenvolvimento do treino de alto rendimento na escola do Club de Golf de Miramar, cujos resultados são conhecidos por todos. Basta dizer que o Club de Golf de Miramar tem 17 atletas integrados nas várias seleções nacionais, com um modelo muito concreto de desenvolvimento e o que queremos é aproveitar esse modelo e desenvolvê-lo à dimensão das seleções nacionais e à escala da FPG».

Miguel Franco de Sousa elucidou ainda sobre as razões de um contrato de quatro anos: «O treinador nacional passará a ter um mandato equivalente ao da Direção. O que nós pretendemos é dar tempo para que possa desenvolver o seu trabalho, não se fazem trabalhos nem em um nem em dois anos. Em 2020 encerra-se um ciclo olímpico, a FPG está integrada nas modalidades olímpicas e deverá estar sempre alinhada com os ciclos olímpicos.

«Temos um objetivo muito concreto que é ter uma participação lusa nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Tivemos uma presença muito significativa no Rio de Janeiro em 2016, tendo sido uma experiência completamente nova e acredito que agora, com o capital adquirido ao longo destes últimos dois anos, vai-nos permitir desenvolver um trabalho e uma estratégia que nos leve a ter não só a presença de jogadores portugueses mas também aspirar a algo mais.

«Se bem que a nível de objetivos e resultados será mais oportuno comunicarmos mais adiante, não só para as competições nacionais e internacionais amadoras, mas também profissionais. Vamos ter de, cada vez mais, completar todo um ciclo de trabalho que começa no Projeto Drive de Desenvolvimento Juvenil, passa para os quadros competitivos nacionais, internacionais até chegarmos ao pináculo que são os Jogos Olímpicos e a presença nos circuitos profissionais europeus e até mesmo americanos».

O novo Treinador Nacional deverá agora constituir a sua equipa técnica. «Irei ter uma equipa técnica – garante Nelson Ribeiro – mas poderá ser mais flexível porque pretendo sensibilizar os jogadores para o conhecimento científico e de que modo isso poderá ser benéfico nas suas carreiras. Portanto, haverá momentos em que será relevante ter ao meu lado um determinado especialista, mas depois, para outras circunstâncias, recorrer a outro perito. É importante sublinhar que não quero substituir ninguém. Quero é ajudar e que cada treinador de clube me veja como mais um elemento dentro da equipa técnica do seu clube, pronto a ajudá-lo».

O presidente da FPG, Miguel Franco de Sousa, dá-lhe todo o seu apoio: «A FPG, desde o primeiro momento, comunicou que não iria impor uma equipa técnica. O Treinador Nacional terá de constituir uma equipa da sua confiança, trabalhar com quem e como entender. O que temos de fazer é depositar toda a confiança neste Treinador Nacional, como depositámos nos anteriores. Essa equipa será oportunamente anunciada».

Press-Release
 FPG
15 de fevereiro 2017

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Revised: 20-02-2017 .